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Adesivos para avião crescem com a frota
26/7/2010
Valor Econômico

No fim dos anos 90, oficinas de fundo de quintal começavam a fazer adesivos decorativos para carros e caminhões até como forma de engordar o orçamento familiar. Mais de 10 anos depois, interiores de casas e lojas e até aeronaves ocupam lugar cada vez maior desses negócios. Embora ainda responda por uma parcela tímida do faturamento dessas empresas, a adesivagem de aviões tem potencial para dobrar de tamanho.

São adesivos que resistem a variações de temperatura de 70°C negativos a 30°C positivos em voos de poucas horas. Também enfrentam velocidades superiores a 900 quilômetros por hora e altitudes de 8,7 mil metros. E tudo isso tem de acontecer sem a ameaça de serem tragados pelas turbinas dos aviões e colocar em risco o voo e a segurança dos passageiros.

O otimismo com a expansão desse nicho de mercado vem do crescimento da frota da aviação comercial. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram a evolução da frota brasileira. Em 1995, as empresas de voos regulares no país tinham, ao todo 281 aviões. Ano passado, o total era de 419 aeronaves.

Quando as companhias compram aviões novos, geralmente elas são entregues com logotipo e cores. Pintura ou adesivo é uma opção do comprador. A Artfix fez recentemente a nova identidade visual da regional Passaredo, que optou por jatos da Embraer. Nesse caso, havia uma mistura de jatos novos, adesivados na própria fábrica da Embraer, e antigos.

O fundador da Artfix, Marcos Sapia, diz que geralmente o adesivo é mais barato do que a pintura, mas tudo depende da área a ser adesivada ou pintada. O mercado estima que o preço de uma adesivagem começa em R$ 15 mil e pode chegar a R$ 60 mil.

A Lei Cidade Limpa, em vigor em São Paulo desde 1º de janeiro de 2007, limitou o crescimento dos adesivos, diz Sapia. Isso aconteceu porque a lei estendeu a proibição de propagandas em outdoors e fachadas para marketing em aviões que sobrevoam a capital.

Isso intimidou o crescimento da adesivagem para campanhas promocionais. A esperança de expansão, portanto, está nas empresas que optam pelo adesivo para suas marcas e cores nos aviões e nas companhias estrangeiras.

Sapia diz que pretende dobrar a participação da adesivagem de aeronaves no seu faturamento, não divulgado, dos atuais 5% para até 10%. "A Lei Cidade Limpa atrapalhou um pouco, porque abrange aviões que pousam em Congonhas. Mas a compra de mais aeronaves deve melhorar a situação".

A empresa de manutenção e engenharia da portuguesa TAP no Brasil, a TAP ME, passou a fazer adesivos em sua unidade de Porto Alegre, em meados de 2005. O supervisor do setor de pintura, Carlos José Monteiro, e o engenheiro da empresa, Nelson Vaz, estimam que os adesivos respondam por 25% do total de serviços da área de comunicação visual, que também faz a pintura dos aviões e acabamentos internos com adesivos.

A TAP ME atua em duas frentes. A empresa decora a fuselagem de aviões 100% com adesivos ou faz uma mistura de adesivos e pintura, afirma Monteiro. O mais recente cliente que preferiu usar só adesivos foi a empresa americana de voos fretados Ryan.

"Dependendo do avião, a pintura pode durar cerca de três anos, já o adesivo dura bem menos", diz Monteiro. Já Sapia diz que aviões que foram adesivados por sua empresa há cinco anos permanecem com os adesivos intactos.

Na Famasign, a adesivagem de aeronaves responde por 20% do seu faturamento, mas a empresa tem esperança de ampliar essa fatia, diz o fundador da empresa, Marcio Rafael Colacioppo. "Caso a demanda no mercado nacional continue a crescer, a tendência será criar uma empresa nova só para atuar neste segmento", afirma. A Famasign fez a adesivagem de nove aviões da VarigLog.



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