CNT completa 100 pesquisas1/2/2010
Livia Cerezoli - CNTA Confederação Nacional do Transporte divulgou nesta segunda-feira, 1º de fevereiro, os resultados da 100ª rodada da Pesquisa CNT/Sensus, a maior série de levantamentos de opinião pública já realizada por uma entidade privada no país. Foram entrevistadas 2.000 pessoas em 136 municípios de 24 Estados.
Para marcar a centésima edição, a CNT replicou questões apresentadas em questionários anteriores da série – o primeiro levantamento foi realizado em março de 1998 -, o que permite uma comparação das características do perfil do brasileiro ao longo dos últimos dez anos.
Pela pesquisa, é possível observar uma melhora na satisfação da população em relação ao país. Para 48% dos entrevistados, esse nível vem aumentando nos últimos seis meses. Em março de 1998, eram apenas 15% que se diziam satisfeitos. O orgulho por ser brasileiro também tem aumentado, nos último seis meses, para 52,8% dos entrevistados. Para 38,5%, continua igual e para 7,8%, tem diminuído. Em setembro de 1998, os índices eram 26%, 59% e 12%, respectivamente. “Identificamos uma melhoria significativa no país, principalmente na percepção de emprego e renda, o que justifica o crescimento dessa satisfação do brasileiro”, diz Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus.
De acordo com ele, todos esses índices podem explicar a alta popularidade alcançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos últimos meses. A avaliação positiva do governo atingiu 71,4%, 1,4 ponto percentual acima do índice de novembro do ano passado. E o desempenho pessoal do presidente foi aprovado por 81,7% dos entrevistados, contra 78,9%, em 2009. “Esse crescimento, mesmo que ainda dentro da margem de erro, está diretamente ligado às melhorias que a população tem conferido dentro do país, como o aumento do PIB (Produto Interno Bruto), aumento das reservas cambiais, melhoria na distribuição de renda e aumento do número de pessoas que deixam a faixa de pobreza”, diz Guedes. O desemprego deixou de ser o maior problema do país (57% escolheram essa resposta em 1998 contra 19% em 2010) dando lugar à violência/criminalidade (22,9%) e às drogas (21,2%).
A Pesquisa CNT/Sensus também quis saber qual é o grau de confiança do brasileiro nas instituições. As Forças Armadas lideram a lista com 44,6% em janeiro deste ano. Em setembro de 1998, o índice era de 41%. No levantamento atual, a imprensa apresenta ligeira queda – de 23% para 19,7%, e mantém a segunda posição, seguida depois pela Justiça, com 16% e governo com 15,8%. Em 1998, o governo estava na penúltima colocação – entre 13 instituições avaliadas – com 13% de confiança. O Congresso Nacional permanece na última colocação com 7,6%.
ANO ELEITORAL
Em ano eleitoral, a CNT/Sensus avaliou ainda o interesse dos brasileiros pelo assunto, comparando com os níveis de 1998 e 2002. As eleições para presidente da República despertam muito interessem em 25,5% da população, contra 17,9% em 2002. Atualmente, 55,5% dos eleitores consideram a suas próprias opiniões na escolha dos candidatos. Em julho de 1998, esse índice era de apenas 1%. “Ao longo de dez anos, estamos vendo que o eleitor se considera mais informado e tem mais interesse nas eleições. Ele é mais autônomo na escolha do seu candidato e as transferências de votos passam a ser menos expressivas”, explica o diretor do Sensus.
Nos cenários eleitorais pesquisados, a pré-candidata do PT, Dilma Roussef, apresenta crescimento significativo, passando de 21,7% em novembro de 2009 para 27,8% em janeiro de 2010 na lista onde também aparecem José Serra (PSDB), com 33,2%, Ciro Gomes (PSB), com 11,9% e Marina Silva (PV), com 6,8%. Com a ausência de Ciro Gomes, José Serra passa a ter 40,7% contra 40,5% em 2009, Dilma passa de 23,5% para 28,5% e Marina, de 8,1% para 9,1%.